segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Livro: Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock'n'roll Salvou Hollywood

Desde criança eu gosto de assistir filmes, sou cria dos anos 80, em que a gente passava a maior parte do tempo na frente da tv. Sempre tive uma no meu quarto, então era difícil não ser seduzida por aquela magia. Com isso aprendi a amar histórias específicas e com o tempo, estender esse amor aos que eu acreditava serem os grandes responsáveis pela obra: os diretores. Foi uma tempo em que eu assistia os filmes sem conhecer muito sobre os atores ou diretores mas conforme fui crescendo, fui sendo apresentada aos realizadores, bem no momento em que eles se tornaram tão famosos quanto os próprios atores.

Brian De Palma, Spielberg e Scorsese

Faye Dunaway e Warren Beatty em Bonnie e Clyde

Nem sabia eu que isso era resultado da Nova Hollywood, uma turma que quis tomar para si a responsabilidade de fazer filmes baseados em suas maiores aspirações, deixar suas assinaturas nas histórias. Quem aí não é capaz de dizer se um filme é um filme do Tim Burton? E do Wes Anderson? Do Woody Allen? Sem a Nova Hollywood talvez isso nem seria possível hoje. Os estúdios não controlavam mais todas as etapas da realização dos filmes, em que contratavam diretores e equipe conforme seus desejos. É exatamente desse momento que trata Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock'n'roll Salvou Hollywood. O fim da Velha Hollywood e o começo da Nova. E até ler o livro, eu continuava na ignorância e nem sabia de nada das coisas que aconteceram nesse período tão importante pra indústria do cinema. Fiquei chateada por ter ficado tanto tempo ignorancia mas ao mesmo tempo feliz porque a minha inocência foi resguardada também por mais tempo. E talvez a maturidade tenha me feito exergar tudo com uma aceitação (não sei se é bem esse o termo) melhor.

Robert De Niro e Martin Scorsese durante Taxi Driver

É que lendo o livro você vê sendo desconstruida toda e qualquer ilusão que se possa ter com diretores tidos como muito queridos, do escalão de Spierlberg, Scorsese, George Lucas, Francis Ford Coppolla. Eu não gosto de endeusar pessoas famosas, por mais que me pareça irresistível fazer isso com pessoas como Brandon Flowers ou Stephen King ou mesmo Oscar Wilde, que com certeza seriam as pessoas pela qual eu cometeria esse erro. Mas sempre fico pensando que eles não devem ser muito como eu imagino que sejam...então fiquei meio assustada sim em saber das coisas que rolaram (rolam?) por detrás das câmeras, de toda a fogueira da vaidade que impulsionou esses diretores a se tornarem quase deuses (alguns acreditaram de verdade que o eram), e que também foi responsável por sua queda. Por onde anda o Coppola, né? Preciso dizer que em muitos momentos da leitura, meu coração foi jogado, pisoteado e quebrado. Lembro que uns dois anos atrás, assistindo a cerimônia do Oscar na tv, vi o Scorsese, com aquela cara fofinha e até cheguei a tuitar que ele tem cara de vô legal...daí foi meio difícil ler que ele quase morreu, devido às drogas. Que seu ego elevado era (vai saber se ainda é) a maior característica de sua personalidade. Que eu não teria os mesmos pensamentos bonitos em relação a ele, vendo sua figura, que já tive um dia.

O louco Dennis Hopper

Filmagens de Tubarão

Não crio ilusões com pessoas ricas/famosas, sempre digo que em algum momento, mesmo sem querer, elas tiveram que pisar em alguém, que alguém perdeu muito para elas poderem ganhar mais. Esse é o mundo capitalista em que vivemos, por mais corretos que tentemos ser. Mas curiosamente parece que continuo caindo nessa armadilha. Então para não me ver completamente destroçada por tantas revelações cruas, presentes no livro, tive que me voltar para esse pensamento: de que esses diretores tinham que fazer as coisas que fizeram para poder nos presentear com verdadeiras obras primas da telona. Quem não fez, ficou pra trás, nem apareceu. Os que ficaram foram os que se submeteram a qualquer coisa para realizar seus sonhos. Difícil, muitas vezes intragável, mas é isso aí.

Linda Blair e o diretor William Friedkin em O Exorcista

Marlon Brando em O Poderoso Chefão

Alguém pode achar que eu odiei a leitura, por conta de tanto absurdo mas não, foi bem o contrário. Amei! Foi um dos melhores livros que já li. Me abriu os olhos, me contou a verdade, em muitos momentos parecendo mais uma obra de ficção mesmo...e apesar de desconstruir muitos mitos, foi maravilhoso percorrer esse caminho, perceber que todos somos imperfeitos e ainda assim, somos capazes de deixar um legado, algo de bom pro mundo. Super indico a leitura, entrou pra minha lista de favoritos fácil fácil. Existe um documentário do livro, encontrei pra baixar mas está sem legenda em português...fuén! Ansiosa pra assistir.

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